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CHAPÉU PANAMÁ

Não sou um índice. Operário
do que não sei.
Fruto do que nunca aprendi por
escolher a inquietude - amiúde.
Vivi nas margens, mas nunca
escorreguei nas beiras.

Nunca tive a vida por inteiro
por devorá-la aos pedaços.
Com os mesmos herméticos
cansaços...
Menestrel de incompreensões
com sandálias de couro cru e
chapéu Panamá.
Bah!

Andando como se anda quando
a busca é a própria estrada.

Mais nada!


Lau Siqueira
SONHAR ENTRE
AS PÉTALAS DO
TEU CORPO



Minha mão desliza
no teu corpo. Como se
fizesse reparos na
minha alma.

Montanhas e rios no
veludo dos teus seios.

Língua nativa que
desliza pelos poros
traduzindo linguagens
da tua inquietude.

Coração em transe.
Minha cocha entre
as tuas.

Segredos  do que
falo na lâmina afiada
dos teus lábios.

Volúpia da sede
que transborda entre
a lona e as cordas.


Sentidos aguçados
em fio da adaga.

Um corte de saliva
na tua vagina
que alaga.

Poemas ainda inéditos

GERMINAR
A memória
é uma espécie de cravo
ferrando a estranheza
das coisas.

Um pau rijo
esguichando sementes
nas valas alagadas
da pele.


Estilhaços no hálito
sedento das matilhas.
Onde o mundo é,
sobretudo, cão.

Chove.
Adormeço sonhando
com o dia que vai
nascer.


...
MANDALA



no percurso
da pressa
nada escapa
ao súbito

vento soprado
na primavera

(tão bela)   

esticando 
estrelas em
mandala

(tão mala)
...
O TEMPO


Para seguir
em frente nunca
é cedo.

Exato é o
trançado que
trocamos entre
os dedos.

Numa puta
vontade quase
medo.

...
SALIVA


bebi na tua boca
o tinto e seco manjar
da minha sede

(                               )

era mesmo tudo pele
nada ali era parede


...
MANICOMBO

o mundo continua
o mesmo e velho
hospício


janelas e portas
fechadas do fim
ao início

...
GRAVATARIA TROPICAL
O homem nos tribunais de cada
dia. A mulher também. Porém,
em inumerável menor número.

Ele na gravata. Ela no salto.

(A vida, na aparência, é o lugar
onde tudo sorri.)

A equivalência do s…
AS CORES DO TEU VESTIDO

O silêncio é uma fotografia.
Fala com seus traços. Com seus
vincos e com as pálpebras da tua
presença.

Deságua em palavras.
Mas continua
calado.

Numa intensidade muito além
do vazio. Do incêndio que se
espalha onde tudo é só segredo.

Respiro a tua imagem como um
segredo que guardo em silêncio.

No que a memória tatua. Nessa
doce tempestade só
minha e tua.






Imagem
Imagem
Imagem
memória destroçada
qualquer lembrança
é melhor que nada


Escrevi este poemicro no Faceboock,como escrevo tantos outros. Me surpreendeu o interesse da escritora Maria Valéria Resende, amiga querida, nascida em Santos-SP e moradora na Paraíba, como eu. Valéria colocou o poema no livro "Quarenta dias", vencedor do Prêmio Jabuti 2015. Não fosse a atenção de Valéria este texto estaria perdido para sempre na linha do tempo de uma rede social.
Viva Valéria!


é tempo de lama e bala

entre paris e mariana

há um silêncio que fala

Poemicro sobre o atentado em Paris e a tragédia em Mariana-MG.